Os problemas ortopédicos em bebês geralmente têm causas diversas, podendo ser congênitos, quando presentes desde o nascimento, ou adquiridos, quando surgem por questões externas ou fatores relacionados ao crescimento.
Por isso, conhecer melhor essas causas é muito importante para que os pais possam observar o desenvolvimento físico da sua criança e identificar possíveis sinais de anormalidades ainda em fase precoce.
Principais causas de problemas ortopédicos em crianças
- Genética : alguns problemas ortopédicos, como o pé torto congênito, têm uma causa genética e são mais propensos a aparecer em famílias com histórico desse tipo de problema;
- Posição fetal : a posição em que o bebê se encontra no útero, principalmente nos últimos meses de gestação, pode influenciar a formação dos ossos e articulações, especialmente dos pés e quadris;
- Deficiências nutricionais : a alimentação materna durante a gestação e a alimentação do bebê após o nascimento têm um papel importante na saúde óssea e muscular. Isso porque a carência de nutrientes como cálcio e vitamina D, por exemplo, pode contribuir para a fragilidade dos ossos;
- Influência externa :algumas práticas, como o uso inadequado de acessórios que forçam a postura do bebê, podem contribuir para o surgimento de problemas ortopédicos em crianças.
Problemas ortopédicos mais comuns em bebês
Os problemas ortopédicos em bebês variam desde condições leves e temporárias até condições que demandam intervenções médicas e acompanhamento mais prolongado. Abaixo, listamos alguns dos mais comuns e como identificá-los:
Displasia de desenvolvimento do quadril (DDQ)
A displasia do quadril é um dos problemas ortopédicos mais comuns em recém-nascidos e ocorre quando a articulação entre o fêmur e o quadril não está corretamente encaixada.
Desse modo, a DDQ pode ter diferentes níveis de gravidade, sendo mais comum em bebês que ficam em posição pélvica no útero.
É possível identificar sinais como uma limitação na abertura das pernas, um lado do quadril aparentemente mais alto que o outro e estalos nas articulações. Já em bebês maiores, o DDQ pode fazer com que o bebê ande em passadas longas.
Torcicolo congênito
O torcicolo congênito ocorre quando um músculo do pescoço, o esternocleidomastóideo, está encurtado, fazendo com que a cabeça do bebê se incline para um lado e o queixo aponte para o lado oposto.
O problema pode ser resultado de posicionamento no útero ou de traumas durante o parto.
Os sinais mais visíveis são uma inclinação persistente da cabecinha do bebê para um lado, dificuldade para virar a cabeça e presença de um tipo de nódulo palpável no pescoço.
Problemas ortopédicos nos pés dos bebês
Com relação aos pezinhos dos bebês, existem algumas possibilidades de problemas e vamos destacar os principais.
- Pés chatos
O pé chato, caracterizado pela falta de um arco plantar aparente, é algo muito comum em bebês.
Nos primeiros anos de vida, os pezinhos tendem a ser naturalmente planos, com o arco se desenvolvendo gradualmente, geralmente até os 5 ou 6 anos.
Sendo assim, esse desenvolvimento acontece conforme os músculos dos pés se fortalecem e a estrutura óssea ganha mais sustentação.
Em alguns casos, no entanto, o arco não se forma adequadamente, resultando em pés planos permanentes, o que pode causar desconforto ou mesmo dor ao longo da infância.
Para monitorar, o pediatra ou ortopedista infantil avalia o progresso do arco durante as consultas e orienta exercícios para fortalecer os pés, caso necessário.
- Pé chato rígido e suas diferenças
Enquanto o pé chato é comum e, na maior parte dos casos, não se agrava, o pé chato rígido é um problema onde o arco dos pés não se forma devido à fusão óssea ou problemas estruturais.
Este tipo de condição tende a causar dor e, por conta disso, limitações na mobilidade. É uma situação mais complexa, e o tratamento pode envolver o uso de órteses, fisioterapia ou, em casos mais sérios, intervenção cirúrgica.
- Polidactilia e sindactilia
Polidactilia é a presença de dedos extras nos pés, e a sindactilia ocorre quando dois ou mais dedos estão unidos.
Ambas as condições são congênitas e podem interferir na maneira como o bebê engatinha e anda, além de causarem dificuldades na adaptação a calçados.
Geralmente, a correção cirúrgica é recomendada para garantir uma funcionalidade adequada aos pés.
Como identificar os primeiros sinais de problemas ortopédicos em crianças?
Observar o desenvolvimento físico e motor do bebê é fundamental e a seguir destacamos alguns sinais que podem ajudar na identificação precoce de anormalidades:
- Desgaste irregular nos sapatos : se o bebê já usa calçados e você percebe que as solas apresentam um desgaste desigual, isso pode indicar que ele está pisando de maneira incorreta, ou que pode estar associado a um problema estrutural nos pés ou nas pernas;
- Dificuldade para engatinhar ou andar : atrasos no desenvolvimento motor podem sinalizar problemas nas articulações ou ossos;
- Manter o peso em um só lado do corpo : se a criança pequena tende a apoiar o peso apenas em um lado ao ficar em pé, isso pode ser um indicativo de desequilíbrio na estrutura óssea ou de fraqueza muscular em alguma parte do corpo;
- Movimento limitado das articulações : se você notar que seu bebê tem dificuldades para movimentar completamente as pernas, pés ou braços, ou se ele demonstra desconforto ao fazê-lo, isso pode ser um sinal de problema articular que merece atenção;
- Pé virado para dentro ou para fora ao caminhar : observando os primeiros passos do bebê, verifique se ele mostra um padrão de caminhar com os pés virados demasiadamente para dentro ou para fora. Esse sinal pode indicar um problema de alinhamento que requer avaliação;
- Tendência a cair com frequência : embora seja normal que bebês e crianças pequenas caiam ocasionalmente enquanto aprendem a andar, quedas muito frequentes ou muita dificuldade para se equilibrar mesmo em terrenos planos podem indicar que há questões ortopédicas.
Caso os pais identifiquem alguns desses sinais, é importante consultar um especialista, pois o diagnóstico precoce facilita o tratamento e melhora o prognóstico da criança.
Tratamentos e cuidados para problemas ortopédicos em bebês
- Fisioterapia
A fisioterapia é um dos tratamentos mais indicados para problemas ortopédicos leves e moderados.
Com exercícios específicos, o fisioterapeuta pode ajudar a fortalecer os músculos e corrigir a postura do bebê.
A fisioterapia é frequentemente utilizada para casos de torcicolo congênito e displasia do quadril.
- Uso de órteses e outros acessórios
Para problemas como o pé torto congênito, o tratamento pode envolver o uso de órteses, gessos ou botas ortopédicas que ajudam a corrigir a posição dos pés e articulações.
No caso do pé torto, o método de Ponseti, que envolve o uso de gessos, tem demonstrado bons resultados.
- Cirurgia
Os procedimentos cirúrgicos geralmente são indicados apenas quando o tratamento conservador não apresenta resultados satisfatórios ou quando o problema ortopédico ameaça o desenvolvimento normal da criança.
Como prevenir problemas ortopédicos em bebês
Embora nem todos os problemas ortopédicos em crianças possam ser prevenidos, algumas práticas ajudam a diminuir os riscos e lesões para um desenvolvimento físico saudável.
Permitir que o bebê explore o ambiente de forma mais livre, sem excesso de objetos restritivos, ajuda no fortalecimento dos músculos. Reduzir o uso de dispositivos que limitam o movimento, como andadores e cadeirinhas, também é recomendado.
Incentive o bebê a realizar atividades de acordo com seu estágio de desenvolvimento, como engatinhar, rolar e se levantar sozinho.
Também é interessante evitar o uso de acessórios que forcem a postura do bebê. Se você gosta de utensílios que ajudam a carregar o bebê, escolha sempre os ergonômicos, mantendo a posição dos pés e pernas natural e relaxada.
Quando procurar um ortopedista infantil?
Caso perceba sinais como assimetria corporal, dificuldades motoras persistentes ou dores, é fundamental procurar um ortopedista infantil.
Esse especialista solicitará exames para avaliar a saúde dos ossos do bebê e indicar o tratamento mais adequado.
Em muitos casos, o diagnóstico precoce e o tratamento devido proporcionam resultados muito positivos e a criança segue com um desenvolvimento físico normal.
Cuidar da saúde ortopédica dos bebês é de suma importância para garantir que eles cresçam com liberdade de movimento e bem-estar físico.
Então, converse sempre com o pediatra para certificar-se de que seu filho está se desenvolvendo como esperado.